Empoderamento do consumidor é destaque no 7º Encontro Nacional de Consumidores de Energia

Primeiro dia do evento voltado ao consumidor de energia tem debates sobre o futuro do mercado brasileiro de energia

Expectativa quanto a mudança de governo, situação do mercado livre, a agenda regulatória para o Brasil nos próximos dois anos diante da perspectiva de maior abertura do mercado de energia brasileiro e os valores da energia para o próximo ano, esses foram alguns dos temas abordados durante o primeiro dia do 7º Encontro Nacional de Consumidores de Energia. O evento é realizado pela UBM/Grupo CanalEnergia e debateu a situação pela qual o setor elétrico passa no país, em um momento de avanço das tecnologias e do maior empoderamento que o consumidor ganha com o passar do tempo.

O evento, que é direcionado ao consumidor de energia, começou com a mensagem do diretor institucional da Enel, José Nunes, que destacou o fato de que o passado não pode ser utilizado como parâmetro para o futuro. Ainda mais em tempos de transformação quando as tecnologias disruptivas vêm alterando a forma de fazer negócio no mundo todo, não apenas no país.

Na sequência, foi dada a visão do agente regulador quanto ao futuro do mercado de energia elétrica no país diante da agenda regulatória que a Aneel vem trabalhando para período de 2018 a 2019 e que está em audiência pública. O diretor Rodrigo Limp, destacou pontos importantes nessa agenda como a adoção da tarifa binômia e, principalmente, a revisão da Resolução Normativa nº 482, que estabeleceu as regras para a geração distribuída no país. Em suas palavras, esta foi uma das principais ações da Aneel em seus 20 anos de existência.

Talita Porto, conselheira da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, por sua vez, destacou o atual momento da entidade com o avanço do número de agentes no setor e as perspectivas para o futuro. Um dos pontos é a questão da ampliação do comercializador varejista, que promete ser um catalisador de novos consumidores ao passo que o mercado tende a uma maior abertura. O tema GSF também inspira cuidados, pois a previsão é de que o déficit de geração hídrica tenha impacto de R$ 13 bilhões somente ACL e as liminares decorrentes da judicialização desse tema sejam a maior responsável pelo passivo de cerca de R$ 8 bilhões nas operações de liquidação financeira do mercado de curto prazo.

O cenário politico foi abordado no segundo painel do dia com o presidente da Dominium Consultoria Marcelo Moraes. Ele apontou em sua apresentação o que esperar dos projetos que estão em tramitação no Congresso Nacional e que tem potencial de alterar de forma significativa o marco regulatório do setor elétrico. Segundo ele, a pauta do setor não é a prioridade do próximo novo governo porque há muitos outros assuntos mais macro que deverão estar à frente, como as diversas reformas e questões como segurança pública.

Os preços de energia foram o tema do último painel do dia com a apresentação das premissas que o consumidor deve levar em conta. Seja no ambiente regulado quanto no livre há uma variação muito grande de impactos que formarão o valor da energia no próximo ano, o que aumenta a incerteza sobre essa variável para o setor produtivo nacional.

O 7º Encontro Nacional de Consumidores de Energia continua nesta quinta-feira, 4 de outubro, com painéis que abordarão temas centrados nas novas tecnologias que estão fazendo com que o consumidor de energia ganhe cada vez mais relevância no setor energético brasileiro.  O tema geração distribuída abre os trabalhos com as tendências e como deve se desenvolver no Brasil. A eficiência energética é outro ponto a ser discutido no evento e, ainda, a inovação tecnológica na gestão do consumo .

O 7º Encontro Nacional de Consumidores de Energia é realizado no Centro de Convenções do Hotel Transamérica, em São Paulo, localizado na Avenida das Nações Unidas, 18.591, zona sul de São Paulo.